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Sei o que preciso fazer, mas continuo adiando: como sair desse ciclo?

Por Cris Czarnobai, psicóloga · · 5 min de leitura

“Sei o que preciso fazer, mas continuo adiando.” Se você se reconhece nessa frase, provavelmente já tentou se organizar, fazer listas ou prometer que começaria na segunda-feira. Mesmo assim, na hora de agir, encontra outra coisa para fazer e deixa o que importa para depois. É o que costumamos chamar de procrastinação.

Pode ser uma conversa que você precisa ter, uma decisão que vem evitando ou um projeto que gostaria de começar. Você pensa nisso, se cobra e se incomoda com a pendência. Mas saber que algo é importante ainda não foi suficiente para fazer acontecer.

O primeiro passo é entender o que acontece entre perceber que precisa agir e decidir adiar. É nesse intervalo que podemos reconhecer o que está dificultando a ação e escolher uma resposta diferente.

Por que sei o que preciso fazer, mas continuo adiando?

Você pode saber o que fazer e ainda ter dificuldade de lidar com o que sente quando tenta começar. Em algumas situações, adiar funciona como uma maneira de evitar medo, insegurança, frustração ou a possibilidade de desagradar alguém.

Pensa em uma mensagem que você precisa enviar para colocar um limite. A tarefa parece simples: escrever e enviar. Mas, para você, ela pode significar correr o risco de receber uma resposta negativa, decepcionar alguém ou precisar sustentar uma posição.

Você deixa a mensagem para depois e, por alguns instantes, sente alívio. A conversa continua pendente, mas você não precisa enfrentar a reação da pessoa agora.

Esse alívio pode favorecer a repetição do adiamento. Na próxima situação parecida, evitar volta a parecer uma saída.

No meu trabalho como psicóloga, eu ajudo a pessoa a entender esse funcionamento: o que ela imagina que vai acontecer, o que sente e como responde. A pergunta vai além de “qual tarefa você está adiando?”. Também precisamos olhar para o que torna aquela tarefa difícil para você.

Procrastinação é preguiça ou falta de organização?

Procrastinação não é sinônimo de preguiça, e a organização nem sempre resolve a dificuldade de começar. É possível ter uma agenda bem planejada e continuar evitando justamente as tarefas que despertam mais desconforto.

Você pode passar o dia respondendo mensagens e resolvendo pequenas pendências, e terminar com a sensação de que não fez o que precisava. Houve esforço, mas a tarefa mais importante ficou esperando.

Também é preciso considerar as condições em que você está tentando agir. Cansaço, excesso de demandas, falta de recursos e uma tarefa mal definida podem dificultar o começo. Nem todo adiamento tem a mesma explicação.

Por isso, vale observar: você está sem condições de fazer aquilo agora ou percebe que muda de atividade quando se aproxima de uma parte difícil?

Essa diferença ajuda a escolher o próximo passo. Em um caso, você pode precisar descansar, pedir ajuda ou reorganizar suas demandas. Em outro, pode precisar aprender a enfrentar o desconforto que aparece mesmo quando há tempo e condições para agir.

Se cobrar mais, sem entender essa diferença, pode aumentar o desgaste e deixar a pendência ainda mais pesada.

Por que esperar motivação pode me fazer adiar ainda mais?

Esperar vontade pode prolongar o adiamento quando você transforma a motivação em uma condição para começar. Algumas ações importantes precisam acontecer mesmo em dias sem ânimo ou sem segurança.

É comum pensar: “Quando eu estiver mais confiante, vou falar”, “Quando minha cabeça estiver melhor, começo” ou “Quando tiver certeza, decido”.

O problema aparece quando esse momento ideal se torna uma exigência. Você espera se sentir capaz, mas deixa de viver experiências que poderiam ajudar a construir confiança.

Isso não significa ignorar seus limites ou se forçar a fazer tudo de uma vez. Significa avaliar qual ação é possível nas condições de hoje.

Você pode sentir insegurança e escrever o primeiro parágrafo. Pode sentir receio e pedir para marcar uma conversa. Pode começar uma tarefa sem saber ainda como resolver cada parte dela.

Em vez de perguntar apenas “estou com vontade?”, experimente perguntar: “Qual parte disso eu consigo fazer agora?”.

A resposta precisa caber na sua realidade. Um passo possível permite sair da espera e observar, na prática, o que acontece quando você começa.

Como parar de adiar na prática?

Para começar a mudar esse padrão, escolha uma situação específica e transforme a pendência em uma ação clara. O objetivo é praticar uma resposta diferente diante de uma dificuldade que você consegue identificar.

  1. Escolha o que vai enfrentar. Evite tentar mudar todas as pendências ao mesmo tempo. Comece por uma que esteja afetando sua vida.
  2. Identifique o que torna isso difícil. Pergunte: “O que eu temo que aconteça se fizer isso?”. Pode ser errar, ouvir uma crítica ou não saber lidar com a resposta.
  3. Defina uma ação concreta. Troque “resolver meu projeto” por “escrever os três pontos principais da proposta”. Você precisa saber por onde começar.
  4. Combine quando vai fazer. Escolha um momento viável e reserve espaço para essa ação. “Depois eu faço” deixa a decisão em aberto.
  5. Observe o que aconteceu. Depois da tentativa, compare o que imaginava com o que aconteceu e escolha o próximo passo.

Se não conseguir cumprir o combinado, investigue o obstáculo. A tarefa ainda estava grande? Faltou tempo? Você começou a antecipar um resultado ruim?

Use essa informação para ajustar a próxima tentativa. Mudar um padrão envolve treino e revisão do que funciona para você.

Como a terapia pode ajudar quem continua adiando?

A terapia pode ajudar você a entender o que mantém o adiamento e aprender novas formas de agir nas situações em que trava. Esse trabalho considera seus pensamentos, suas emoções, suas condições de vida e as consequências das suas escolhas.

Sou Cris Czarnobai, psicóloga e especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental. Eu conduzo o processo de forma ativa: ajudo você a reconhecer seu funcionamento e combinamos o que vai praticar no dia a dia.

Podemos trabalhar uma conversa difícil, uma decisão ou uma tarefa que você vem evitando. Entre as sessões, a proposta é experimentar o que foi construído e depois avaliar o que precisa ser ajustado.

Atendo em psicoterapia pela TCC e também pelo MPA, um acompanhamento de oito semanas voltado a trabalhar uma dificuldade específica. Na primeira conversa, entendo o que você está vivendo e explico qual formato pode fazer sentido para o seu momento.

Você não precisa chegar sabendo explicar tudo. Podemos começar pelo que está difícil hoje.

Vamos conversar.

Se você quer ajuda para lidar com isso, me chama. Você me conta o que está acontecendo e eu explico como trabalho.

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